Fanzine Baobá

Experiência de comunicação alternativa desenvolvida de forma solidária no Afro-Sul Odomode, parceria de Caiuá Al-Alan, pesquisador em história, frequentador do Domingo Cultural e voluntário na organização do acervo de memórias do instituto, e Vania Pierozan, artista gráfica e educadora. A ação teve a colaboração de Evelyn Pieve na revisão dos textos.

O Baobá nasceu da vontade de difundir entre os frequentadores e colaboradores do Afro-Sul Odomode a sua história de resistência e busca de uma vida melhor para meninas, meninos e jovens do entorno do seu território físico, especialmente os do Condomínio dos Anjos, localizado na Av Ipiranga, no Bairro Jardim Botânico.

O fanzine é uma mídia, um meio de comunicação alternativo. A palavra resulta da junção de fanatic magazine (revista de fã). Uma das suas características é a independência do editor, inclusive financeira. O fã cria um canal de expressão sobre áreas BAOBÁ5
culturais que gosta muito, como música, poesia, quadrinhos…

O fanzine como instrumento alternativo de difusão da memória material e imaterial do Instituto Sociocultural Afro-Sul Odomode>

Quando começou a organizar o acervo de memórias do Instituto Sociocultural Afro-Sul Odomode Caiuá Al-Alam preocupou-se em buscar alternativas de circulação dessas histórias, ricas de detalhes que brotaram nas entrevistas orais com os fundadores, colaboradores e gestores da instituição.  Também haviam as fotos antigas, que ao longo dos 35 anos de caminhadas foram sendo reunidas em álbuns, registrando as mais diversas atividades: programas educativos com adolescentes em situação de rua, participações em carnavais, espetáculos de dança, shows musicais, reuniões e seminários, entre outros tantos momentos dessa história de resistência e valorização da cultura negra de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul.

Então, pra materializar uma exposição fotográfica de 35 anos do Afro-Sul Odomode, com recursos limitados, a equipe optou por imprimir os layouts (desenvolidos em software livre) em formato A3 colorido . A exposição, que aconteceu paralelamente ao 1º Encontro Afro-Sul de Dança Afro, em 2009, uma mostra de trabalhos e rodas de conversas de grupos do Sul do Brasil,  foi montada com materiais simples, aproveitando quadros/molduras que haviam sido criadas para um evento anterior.

Queríamos divulgar a exposição, e de alguma forma chamar a atenção para o que significavam aquelas fotos e textos pelas paredes, principalmente para além dos dançarinos e educadores que participassem do encontro e, especialmente, para os freqüentadores dos domingos culturais. E pra divulgar a exposição, chegamos ao fanzine de dobraduras, inspirado em um fanzine de desenho e poesia desenvolvido por uma estudante do Instituto de Artes. Era uma mídia barata, e o formato seria perfeito pra ser uma mídia de bolso, ideal pro nosso público imaginado, os freqüentadores dos sambas dominicais.

 Artes Gráficas, educação e software Livre

O Fanzine Baobá não é pensado pra ser impresso em grande escala, sendo geralmente 150 exemplares.  É desenvolvido com o Office Draw, software de código aberto para desenho, que pode ser baixado rapidamente da internet e que integra o pacote BrOffice (editor de texto, planilha eletrônica, apresentações, correio eletrônico…). Um programa bem básico, com recursos limitados, mas que usado conjuntamente com o Gimp pode ser muito eficiente. E ele tem um recurso de salvar em pdf, bem prático.

            O fanzine Baobá já está espalhando suas sementes, e nesta quinta edição a parceria, que já não pode contar a participação direta de Caiuá, tem o texto de Aristides (Quidi), um bravo e colaborador de longa data do Afro-Sul Odomode, e que também é fã do Afro-Sul Odomode, atua no Orçamento Participativo e traz as questões políticas culturais de resistência e defesa da cultura negra para o espaço do Pequeno Grande Baobá.

O conhecimento é um bem da humanidade

a  partir das relações que estabelece com seu mundo, o homem, criando, recriando, decidindo, dinamizaeste mundo. Contribui com algo do qual ele é autor (FREIRE, 1979).

                Atualmente, com o desenvolvimento da tecnologia, a palavra fanzine já está sendo usada em trabalhos que não estão na forma de revista, mas que trazem o tipo de material encontrado nos fanzines impressos. É o caso de páginas na Internet ou CD-ROMs que são chamados de fanzine eletrônico. Assim, democratizamos o acesso e, com outra linguagem, disponibilizamos a história deste importante território, que resiste e é um exemplo de força da cultura negra e do envolvimento com as questões sociais.

As oficinas: educação popular e multiplicação de idéias

O formato do Fanzine Baobá, e seu conteúdo também, sempre chamaram atenção. No encontro Vivendo em Redes, em São Lourenço do Sul, aconteceu uma oficina muito bacana com representantes de alguns Pontos de Cultura do Rio Grande do Sul (programa do Governo Federal em parceria com instituições culturais) e do Ação Griô, que valoriza a memória e oralidade ancestral. A oficina foi ministrada por Vania Pierozan e o relato pode ser acessado neste endereço: relato do encontro vivendo em-redes-são-loureno-do-sul-maio-2010.

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